Eu fui pra Espanha!!!

Entrevista com Felipe Arruda, estudante de design (UFPE), que fez intercâmbio pra Universidad de Valladolid, na Espanha.

Pra quem quiser conhecer um pouco mais a experiência de Felipe, algumas fotos tiradas durante a viagem estão disponíveis em seu álbum PICASA.

1. O que te motivou a fazer um intercâmbio?
Desde que entrei na universidade, tinha ouvido falar desse tal de intercambio, daí comecei a pensar e a buscar informações, falando com professores ou no site da universidade mesmo. Comecei a fazer o curso de espanhol, na federal mesmo, e fiquei nele por quase 3 semestres. Motivação mesmo que me levou a morar fora foi essa constante vontade de ver e sentir coisas novas, lugares tão distantes, culturas diferentes. Já tinha morado fora, e sentia que agora era a vez de morar sozinho. Foi uma experiência formidável.

2. Como você selecionou o país que gostaria de ir e a universidade que estudaria?
Então, já tava fazendo curso de espanhol, daí seria algum país onde se falasse essa língua. Tentei na Itália, mas na época me aconselharam a ir para a Espanha mesmo, já que para a Itália seria mais difícil (hoje já deve estar mais fácil). Dai, acabei indo parar na Espanha mesmo. Infelizmente não encontrei o curso de design mesmo, e a que se aproximava mais do que eu queria era a Universidad de Valladolid (UVA), com o curso de engenheiro em desenho industrial.

3. Quais documentos teve que preparar?
O processo todo foi bastante cansativo. Eu vivia dizendo que a pessoa tinha que querer muito viajar, porque era bastante chato ter que pegar toda as documentações. Mas o negocio é insistir mesmo. Entre os documentos tinha a carta de aceitação da universidade, documento de nada consta da polícia, passaporte, documentos de rendas, documentos de língua extrangeira..etc

4. Como foi o processo de seleção?
Essa historia do processo de seleção, no meu caso e de meus amigos que foram, foi bastante estranho, já que eu creio muito que fomos beneficiados por nosso historico escolar (o curso de design, por mais estranho que seja, tem notas muito boas). Lembro bem que, no meio do processo, as vagas foram diminuidas. 4 pessoas de design, que estavam na primeira lista, continuaram até o final. Conheço gente que foi cortada da primeira lista, por não atingir uma nota boa. Infelizmente foi assim, o processo meio injusto porque, a meu ver, não se pode comparar diversos cursos com notas, já que cada um tem estruturas diferentes e suas dificuldades.

5. A bolsa foi suficiente pra você se sustentar lá? Como se preparou financeiramente?
nao houve bolsa [2]. Na verdade, os alunos que conseguem ser escolhidos para ir estudar fora, ganham a isenção total no preço da matrícula das disciplinas. Ou seja, estudamos de graça (tivemos que pagar a taxa de matrícula, coisa de 35 euros, no começo do ano). Era engraçado ver amigos meus pagando 2 ou 3 cadeiras no máximo, pois não tinham conseguido a bolsa então tinham que pagar os créditos das disciplinas (bastante caro). Enquanto eu paguei 7 cadeiras.

Dai, pelo menos das pessoas que saem daqui do Brasil, não sei se existe a possibilidade de ganhar bolsa. Talvez tenha algum jeito, mas não encontrei quando estava procurando. Sei que entre alunos da Europa isso acontecia bastante (alunos que ganhavam 300/400 euros por mês com a bolsa de estudos). Mas como não vivemos na europa...

Asim sendo, contava com dinheiro que já estava juntando desde o começo da universidade, juntando dinheiro de estágio, etc.. e ainda ajuda dos pais, é claro. Ainda tive oportunidade de trabalhar por 3 meses lá, foi bem legal, uma experiência bem interessante que vai ficar pra sempre comigo.

6. Fala um pouco sobre a universidade que estudou na Espanha.
Infelizmente não achei muito legal a universidade. Primeiro porque a gente sai daqui pensando que vamos chegar lá e encontrar uma universidade incrivel, com laboratórios super equipados e alunos super experientes, mas a verdade é que nem sempre é assim.

Por estar em um curso de engenheiro em desenho industrial, em uma escola politécnica (que fazia parte da Universidade de Valladolid), achei o curso bastante precário. Os alunos não tinham visão nem experiência (e olhe que peguei as cadeiras mais avançadas), alunos que não sabiam mexer em softwares ou que não tinham contato nem mesmo com eles. Estágio, nem pensar, já que pouquissimos são os remunerados.

A estrutura da escola era bem pequena, tinha seus laboratórios de computadores grandes, mas equipados com computadores bastante ruins, com softwares livres. Os laboratórios de modelagens eram mais equipados e arrumados, com muitas ferramentas e máquinas, taí, isso eu achei legal. No geral, foi uma experiência positiva, mas que poderia ter sido muito melhor. Mas enfim, a experiência valeu, só gostaria de ter estudado mais e aprendido coisas novas, que infelizmente não rolou. Mas tive aulas bem legais, umas disciplinas que me trouxeram coisas boas também.

7. Após o término da bolsa, quais foram as suas impressões sobre a importância desse tipo de oportunidade? O que ficou de bom?
Bom, muita coisa positiva, com certeza. No sentido de abrir a cabeça, de saber que agora eu poderia viver sozinho, por ter passado por essa experiência. Nos tornamos mais maduros, mais conscientes do que podemos e não podemos fazer.

Conheci varias pessoas de lá que tinham feito intercâmbio fora, e nota-se uma maturidade e experiência no jeito de lidar com outras pessoas. Sem contar a questão da língua, que foi bem positiva tá aprendendo uma nova língua, com pessoas e costumes do local. Ainda tive essa oportunidade de trabalhar (que me fez deixar de fazer algumas coisas), mas que me deu uma experiencia incrível, ao lidar com pessoas do próprio lugar. Me sentia mais integrado na cidade.

Você volta com mais vontade de viajar, de conhecer pessoas, de fazer amizades, de saber que nós somos muito pequenos comparado ao que podemos descobrir nesse mundão aí fora, quantas pessoas diferentes, quantas coisas poderíamos aprender. Eu particularmente dou maior apoio a quem queira ter essa experiência (conheco algumas pessoas que estão por aí também). Enfim, só coisa boa.

8. Alguma recomendação pra quem quer tentar um intercâmbio?
Acho que é ter coragem mesmo e determinação, já que o caminho é meio cansativo, mas a recompensa será muito gratificante. Como eu já disse, dou maior apoio a quem quer fazer isso, e sei que será uma experiencia muito legal para quem queira se abrir para o mundo. Saiba lidar com os outros, seja aberto a novas experiências e sempre em frente. Será uma experiencia única na sua vida, eu agarantxo.

um abraço

1 comments:

Erica Goulart said...

Ei Jana! eu adorei a entrevista do pipo, ate pq eu fui pra msm cidade que ele ne.. e assino em baixo de tudo. Parabens pela iniciativa do blog, vou seguir por aqui pegando mais dicas.. valeu!

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